O BRDE e os ODS

Alinhamento das operações aos ODS em 2024.

Alinhamento das operações aos ODS em 2025

O alinhamento da carteira é um quadro sintético obtido pelo percentual do total das operações contratadas no ano com alinhamento a pelo menos um ODS, conforme a Tipologia de Projetos/Atividades Sustentáveis (TPAS) aplicada. Em 2025 o alinhamento das operações diretas e indiretas do BRDE foi de 79,1%, representando um montante de R$ 4,4 bilhões em projetos, atividades ou proponentes com algum impacto esperado nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU de um total contratado de R$ 5,6 bilhões.

Evolução do alinhamento:

Alinhamento por tipo de operação e agência responsável:

Destaques do percentual de alinhamento

  • O BRDE mantém patamar elevado e estável de alinhamento (78–82% nos últimos quatro anos). Em 2025 houve uma leve redução refletindo variações naturais na composição da demanda por crédito.
  • A significativa participação das operações com cooperativas de produção, somada a financiamentos direcionados a grupos de mutuários específicos, como agricultura familiar, pequenos negócios e empresas impactadas por desastres naturais ou econômicos, tem sido determinante para sustentar a estabilidade e o elevado nível de alinhamento observado na carteira.
  • Em 2025, o alinhamento das operações diretas atingiu 75%, com destaque para os projetos contratados por cooperativas do agronegócio e para o crédito emergencial, que em conjunto responderam por 48% do valor alinhado.
  • O desempenho das operações indiretas resultou em um alinhamento de 86% em 2025, destacando-se o peso das linhas PRONAF e PRONAMPE, que, somadas, representaram 81% do valor alinhado.

Contribuição esperada por Objetivo Sustentável

Seguindo as diretrizes de entendimento da ONU sobre a VISÃO INTEGRADA E INDIVISÍVEL da agenda 2030, um mesmo crédito (contrato) pode estar alinhado a um ou mais de um objetivo. Por exemplo, um projeto de geração de energia limpa possui contribuição esperada no ODS 7 pelo propósito do projeto, mas também no ODS 13 pelo seu efeito no clima. Sendo assim, os quadros analíticos que se seguem trazem as repercussões desta transversalidade no sentido de não perder de vista nenhuma contribuição possível. Pretendemos, assim, responder à pergunta de como cada ODS individualmente pode ser impactado pelo conjunto das operações do BRDE. Neste caso o somatório das contribuições esperadas é maior do que o total do financiamento. Quanto maior a contribuição total mais transversalidades são captadas nos financiamentos e mais eficiente é o crédito em termos de sustentabilidade.

Histórico do desempenho para os ODS com metas previstas no Planejamento Estratégico

Ranking dos propósitos de contribuição das operações ODS

Destaques da contribuição esperada aos ODS

  • Destaque em 2025, como nos outros anos, é a contribuição esperada ao ODS 2 da Segurança Alimentar e Agricultura Sustentável com créditos que somam R$2,6 bi ou 46,2% das operações contratadas. Sobretudo refletem a participação das operações com Pequenos Produtores, R$1,4 bi ou 24,9% do total contratado no ano, dos quais as linhas da Agricultura Familiar respondem por créditos de R$1,3 bi ou 22,6% (superando o somatório do crédito às cooperativas que em 2024 havia sido o conjunto mais significativo do crédito no ODS 2). Projetos de Sistemas Sustentáveis de Produção foram reduzidos tendo em vista a pouca disponibilidade das linhas ABC do BNDES e a falta de identificação destas tecnologias no banco de dados.

  • O segundo ODS mais significativo em contribuição esperada é o ODS 10 da Redução das Desigualdades que contratou R$1,3 bi ou 23,5% dos contratos de 2025, uma vez que todas as operações PRONAF contam para ambos os objetivos, ODS 2 e ODS 10. Além dos projetos PRONAF contam ainda para o ODS 10 as operações de segundo piso destinadas ao microcrédito que contratou R$51 milhões.
  • O ODS 8 do Crescimento e Emprego Decentes aparece com financiamentos de R$1,1bi ou 20,5% dos contratos de 2025. Contribuições são esperadas para a geração de emprego e renda em pequenos empreendimentos (R$673Mi ou 11,3%) com destaque para o PRONAMPE que sozinho contabilizou R$322Mi ou 5,7% para o ODS 8 (na quase totalidade em operações indiretas realizadas com as conveniadas). Outros propósitos atingidos neste ODS foram a atuação anticíclica de sustentação da economia (R$380Mi ou 6,8%) e na modernização tecnológica (R$135Mi ou 2,4%).

  • O ODS 12 da Produção e Consumo Sustentáveis é um objetivo agregador de todos os investimentos amigáveis com o meio ambiente em suas diversas temáticas. Resume o que denominamos de carteira verde e estará em destaque no tópico seguinte. Foram aplicados R$771Mi ou 13,7% do valor contratado no ano em projetos/atividades com algum benefício ambiental esperado.
  • A Carteira Verde do BRDE possui financiamentos a projetos ou atividades com esperado efeito na mitigação climática e, por isso, repercutem integralmente no ODS 13 Ação climática no valor (R$712Mi ou 12,7% do total financiado em 2025), uma parte significativa destes são de origem em projetos de geração de energias limpas e renováveis e de eficiência energética do ODS 7 (R$448,3Mi ou 8% das operações do ano). Outros projetos tratam de diferentes temas como agricultura de baixo carbono, resíduos, plantio e manutenção de florestas comerciais entre outros.

NOTA METODOLÓGICA

A metodologia de alinhamento aos ODS do BRDE passa pela definição de uma Tipologia Geral de Projetos/Atividades Sustentáveis (TGPS). Essa tipologia é adequada ao contexto de atuação histórica do banco, suas políticas de crédito e de sua região de atuação. Todas as operações diretas são avaliadas individualmente conforme o objetivo do financiamento, a natureza das atividades do tomador do financiamento bem como de seu porte ou outra característica especial como o caso do empreendedorismo feminino.

Cada projeto dito sustentável está enquadrado na TGPS o que define uma meta de contribuição (propósito), dentre as 169 metas dos ODS, definido com alinhamento ALVO. Os projetos podem contribuir para um ou mais de um ODS conforme a VISÃO INTEGRADA E INDIVISÍVEL, o que nos permite explorar a riqueza do conceito de sustentabilidade e as interações entre as metas da agenda 2030.

Duas visões emergem desta metodologia, a VISÃO DA CARTEIRA, ou o quadro analítico, que contabiliza apenas os alinhamentos ALVO e permite definir um alinhamento como um percentual da carteira contratada no ano. E uma VISÃO DOS ODS, ou quadros analíticos, que contabiliza os financiamentos tantas vezes quantos forem os ODS de alinhamento, gerando um efeito multiplicador esperado. Um projeto de energias limpas e renováveis, por exemplo, está alinhado ao ODS 7 das Energias Limpas e Renováveis como ALVO, mas contribui para metas de outros ODS, como o ODS 12 da Produção e Consumo Sustentáveis e o ODS 13 da Ação Climática.

A TGPS e as tabelas de alinhamento foram revistas ao longo do ano de 2024 tendo em vista a experiência acumulada pela atividade. O alinhamento automático de créditos expressivos, como o realizado para as cooperativas de produção e a impossibilidade de enquadramento dos projetos das prefeituras, por falta de informação nos sistemas de dados, além de outras questões pontuais, foram objeto de revisão metodológica. O processo de alinhamento deverá ser ainda, objeto de deliberação quando à sua incorporação no processo de análise e decisão fazendo incorporar ainda aspectos das emissões financiadas, evitadas e remoções.




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