Parceria do banco com outras instituições traz mudança para comunidades de Porto Alegre.
Após passar por um processo de ressocialização que pôs fim a 12 anos como moradora de rua, onde trabalhava com reciclagem para se sustentar, Tatiana Morais vislumbrou no reaproveitamento do óleo de cozinha uma alternativa para moradoras do bairro Restinga, em Porto Alegre, diante do quadro de vulnerabilidade social que viviam. Surgia o Sabão da Tinga, um negócio social que une geração de renda, capacitação e educação ambiental.
O projeto está entre os selecionados pelo Trilha RS, programa de matchfunding a partir de uma parceria entre o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e o RegeneraRS, com o objetivo de apoiar iniciativas de regeneração social, ambiental e econômica no estado. Nesta quarta-feira (dia 25/3), o Sabão da Tinga marcou presença no South Summit Brazil, evento global de inovação e empreendedorismo que ocorre na capital gaúcha.

A partir da produção de velas aromáticas e produtos de limpeza, o projeto já soma 320 mulheres que passaram por capacitação. “Hoje estamos presentes em quatro. Além da Restinga, atuamos no Morro da Polícia, Morro Santa e no bairro Santa Rosa de Lima e fomos responsáveis por evitar que mais de 60 toneladas de CO2 chegasse fossem lançadas”, diz a orgulhosa diretora e fundadora do Sabão da Tinga, durante painel que abordou o impacto da inovação social sustentável. Tatiana já levou a experiência para eventos na França.
O encontro ocorreu no Viva o RS Boat, embarcação da Invest RS ancorado no cais, e que contou também com a participação da CEO do Moda Alegre, Tainá Vidal, igualmente apoiado pelo BRDE no mesmo programa. A iniciativa é focada no empoderamento feminino através da moda sustentável em comunidades de Porto Alegre, “Conseguimos bater em mais de 300 mulheres inscritas. A ideia é a multiplicação junto às comunidades de tudo que elas recebem nos cursos técnicos e tragam novas participantes”, destaca Tainá.
Transformação nas empresas
Professor da Fundação Dom Cabral, Heiko Spitzeck lembrou da importância do setor privado abrir espaço para colaboradores que possam provocar mudanças em favor da diversidade, desafios climáticos, economia circular e inclusão. “Nosso papel é treinar pessoas para levar esse propósito para dentro das empresas, que podem ser uma plataforma de mudança e garantir a própria sobrevivência do negócio”, frisou.

Também entre os painelistas convidados, o diretor do Instituto Vakinha, Luis Felipe Gheller, relatou a transição do braço social da empresa quando surgiu o projeto Mulheres Transformam. “Decidimos por um projeto mais estruturado, que juntasse educação e empreendedorismo, e conseguimos trazer maior impacto nas comunidades. Estamos no quatro ciclo e já capacitamos mais de 400 mulheres””, observou.
A parceria do BRDE com o Instituto Vakinha focou o atendimento a mulheres que sofreram os impactos últimos eventos climáticos e que residam no bairro Humaitá, em Porto Alegre, e na cidade de Eldorado do Sul, uma das mais castigadas pela enchente de 2024. o ano passado. O painel teve a gerente de Operações do BRDE, Fernanda Maia, como moderadora dos debates. Ela destacou as ações como parte do Banco Verde, iniciativa do BRDE em favor da equidade e transformação social com sustentabilidade.
Fotos: Felipe Dalla Valle / Especial BRDE
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