Painel abordou alternativas de combinar investimento privado com recursos públicos ou de filantropia.
A partir da parceria com instituições locais e organismos multilaterais do exterior, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) apresentou no último dia de South Summit Brasil experiências de projetos que possam contribuir com a transição climática apoiados através de blended finance. Trata-se de uma estratégia de financiamento que combina recursos públicos ou de filantropia com o capital privado. “Sem essas outras fontes, muitos projetos não ficariam em pé apenas com financiamento convencional. Por isso, é fundamental que o nosso estado e a toda a região Sul consigam atrair a atenção de fundos internacionais”, apontou o diretor de Planejamento do BRDE, Leonardo Busatto.

Um dos exemplos que o diretor apresentou durante painel no Grouth Stage, na tarde desta sexta-feira (dia 27/3), surgiu exatamente da relação histórica do banco com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD). Com aporte de recursos não-reembolsáveis do Fundo Francês para o Meio Ambiente Mundial (FFEM), na ordem e 2 milhões de euros, o projeto Alianza Mais está viabilizando assistência técnica, incentivos e financiamento de projetos produtivos que aliem maior produtividade para a agropecuária associado à conservação da biodiversidade do Bioma Pampa. Através do co-financiamento da SAVE Brasil e do BRDE, explicou Busatto, é disponibilizada uma linha de crédito especial, com incentivo à fundo perdido (blended finance) para viabilizar investimentos em modelos de produção inovadores e sustentáveis.
Resiliência
Entra as demais iniciativas com a mesma estratégia a partir do capital catalítico é o Teia de Soluções, que selecionou 15 projetos com o objetivo de fortalecer a capacidade de resposta aos impactos dos eventos climáticos em diferentes regiões do estado. Através da parceria com a Fundação Boticário, Fapergs e Fundação Araucária e RegeneraRS, serão repassados mais de R$ 11 milhões para ações inovadoras e alinhadas com o conceito de Soluções Baseadas na Natureza (SBN), tendo como foco estratégico atender os municípios costeiros e as áreas impactadas pelas enchentes de 2024 ano passado.
Já o TrilhaRS, programa de matchfunding com foco em apoiar a reconstrução do RS, tem 18 iniciativas sendo apoiados com aportes totalizando R$ 1,6 milhão. O matchfunding funcionou como um catalisador de impacto: a cada R$ 1 arrecadado por cada projeto, o TrilhaRS investe mais R$ 2 (R$ 1 do RegeneraRS, e outro R$ 1 do BRDE).
Cooperação
Na visão do diretor-adjunto para o Brasil da AFD, Léo Gaborit, um fator importante para o sucesso dessas iniciativas é a cooperação técnica que os bancos de desenvolvimento podem oferecer. Durante o painel, ele relatou que o órgão do governo francês atua no país há 18 anos. “Neste período, AFD já aportou mais de 600 milhões de euros em projetos sempre alinhados com a sustentabilidade, Mas a região Sul tem um papel estratégico para nós”, frisou.

O painel contou também com a participação do fundador e atual presidente do Instituto Cultural Floresta, Claudio Goldsztein. Surgida em 2016 a partir da mobilização de empresários gaúchos, a organização teve um foco inicial no apoio aos setores da educação e segurança pública, setor que à época vivia uma situação grave no estado. “Preenchemos lacunas onde o Estado não consegue atender as demandas, ou por falta de recursos ou por conta das amarras da burocracia”, descreveu Goldsztein.
Além do forte apoio para aquisição de viaturas e equipamentos para os órgãos policiais e na reforma de escolas, a atuação do Instituto Floresta ganhou destaque mobilizando a sociedade para instituir no RS uma lei de incentivo para a segurança pública. O painel contou com a moderação do diretor-executivo do CoalizãoRS, Tarso Oliveira.
Fotos: Felipe Dalla Valle / Especial BRDE
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