Financiamentos do BRDE sustentaram 83,4 mil postos de trabalho em 2025 e levaram carteira a recorde de R$ 24,1 bilhões

Financiamentos do BRDE sustentaram 83,4 mil postos de trabalho em 2025 e levaram carteira a recorde de R$ 24,1 bilhões

Os financiamentos concedidos pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) em 2025 corresponderam à manutenção ou geração de 83.425 postos de trabalho nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, ao longo de um ano. No mesmo período, a instituição contratou R$ 5,6 bilhões em crédito, contribuiu com R$ 6,5 bilhões para o Valor Adicionado Bruto da região, gerou impacto estimado de R$ 666 milhões em ICMS e encerrou o ano com carteira recorde de R$ 24,1 bilhões.

Os dados integram o balanço patrimonial do BRDE referente a 2025, divulgado nesta segunda-feira (30), que mostra um banco que preservou forte ritmo de apoio à economia real e, ao mesmo tempo, ampliou musculatura financeira para sustentar novos ciclos de expansão. A estimativa sobre geração e manutenção de empregos segue metodologia de matriz insumo-produto, utilizada pelo banco para medir seus impactos econômicos.

No ano passado, o saldo das operações de crédito e repasses cresceu 12,1% em relação a 2024, enquanto o ativo total avançou 14,3%, para R$ 29,2 bilhões, e o patrimônio líquido subiu 16,4%, alcançando R$ 5,2 bilhões. A carteira reúne 44,8 mil clientes ativos, com empreendimentos financiados em 1.211 municípios, sendo 1.136 na Região Sul — presença equivalente a 95,4% dos municípios da região.

Para o Diretor-Presidente do BRDE, Renê Garcia Júnior, o alcance dos resultados vai além do desempenho financeiro. “Quando o banco sustenta mais de 83 mil postos de trabalho ao longo de um ano, o que aparece ali não é apenas o efeito do crédito em si, mas a capacidade de induzir investimento e apoiar a atividade econômica onde ela realmente acontece”, frisa.

O dado mais eloquente do exercício talvez esteja justamente nessa combinação entre escala e capilaridade. O BRDE manteve em 2025 o mesmo patamar elevado de contratações observado no ano anterior, com R$ 5,6 bilhões em novos financiamentos distribuídos por empreendimentos rurais e urbanos em toda a sua área de atuação. O número indica robustez operacional e continuidade num ambiente ainda marcado por juros elevados e seletividade no crédito de longo prazo.

Na divisão setorial, a agropecuária liderou as contratações, com R$ 1,9 bilhão; seguida por comércio e serviços, com R$ 1,8 bilhão; indústria, com R$ 1,3 bilhão; e infraestrutura, com R$ 664 milhões. Considerada toda a cadeia do agronegócio — agricultura familiar, cooperativas agroindustriais e empresas do setor —, o apoio do banco chegou a R$ 2,8 bilhões no ano.

Na avaliação do diretor de Operações do BRDE, Ranolfo Vieira Júnior, o desempenho alcançado em 2025 é ainda mais significativo considerando o contexto que a economia brasileira enfrenta. “Diante de desafios que dificultam novos investimentos, como o próprio acesso ao crédito, o banco reafirmou seu papel estratégico para o desenvolvimento da região Sul e do país. Buscamos apoiar os setores mais relevantes da nossa economia e com impactos positivos para a sociedade, a começar pela geração de empregos e a sustentabilidade dos negócios”, destacou Ranolfo.

Entre os portes de clientes, o maior volume de crédito foi concedido a grandes empresas, com R$ 2,3 bilhões, puxados principalmente por cooperativas agroindustriais, que responderam por 50,1% do total financiado nesse segmento. Já o crédito direto a produtores rurais somou R$ 1,7 bilhão, com crescimento de 43,5% sobre 2024, concentrado sobretudo em pequenos produtores e agricultura familiar.

Os números revelam também um banco com forte capilaridade no financiamento de menor porte. Em 2025, 75,8% das operações foram realizadas com produtores rurais, em sua maioria agricultores familiares, e 22,3% com micro e pequenas empresas. Parte relevante dessa disseminação do crédito ocorreu por meio de convênios com instituições financeiras parceiras, nas chamadas operações indiretas, que cresceram 24,2% em relação ao ano anterior.

“Os dados mostram que o BRDE, enquanto agente financeiro, tem o papel de contribuir com a economia regional para gerar competitividade, tendo foco em desenvolvimento sustentável e inovação na Região Sul”, afirma o diretor de Acompanhamento e Recuperação de Créditos, Mauro Mariani.

Se a fotografia operacional mostra estabilidade em volume e amplitude em cobertura, o retrato financeiro reforça a leitura de um banco mais sólido. O patrimônio líquido chegou a R$ 5,2 bilhões no fim de 2025, avanço de 16,4% em relação ao ano anterior. Esse movimento decorre, em grande medida, da incorporação dos resultados gerados pela instituição, o que aumenta sua capacidade de alavancagem e, na prática, amplia o espaço para novas operações de crédito. O índice de Basileia fechou o exercício em 19,94, em nível classificado como adequado de capitalização.

O lucro líquido, embora não seja o principal dado para definir o desempenho de um banco de desenvolvimento, ajuda a dimensionar o fortalecimento institucional. Em 2025, o BRDE registrou lucro recorde de R$ 721,4 milhões, maior nível da história e alta de 52,7% sobre 2024, impulsionado pelo aumento das receitas operacionais em linha com a expansão da carteira. Como esses recursos permanecem no próprio banco, o resultado reforça o patrimônio e sustenta a capacidade futura de financiar novos projetos.

A robustez patrimonial veio acompanhada de avanço na diversificação das fontes de recursos. Em 2025, o BRDE operou com 12 provedores de funding, tendo o Sistema BNDES como principal fonte (67,9%), seguida pelo conjunto de fontes externas de fomento (10,8%). Paralelamente, o banco acelerou sua estratégia de captação via mercado de capitais. Foram emitidos R$ 484 milhões em Letras de Crédito do Desenvolvimento (LCDs), CDBs e Letras Financeiras (LFs), o que permitiu à instituição alcançar R$ 1,17 bilhão em recursos captados. O desempenho das emissões e a ampliação do relacionamento com corretoras, fundos de investimento e clientes diretos reforçam a credibilidade crescente do BRDE diante do mercado.

Na avaliação do diretor Administrativo, Heraldo Neves, esse movimento tem efeito direto sobre a capacidade de atuação do banco. “A diversificação das fontes de recursos deixou de ser apenas uma agenda de gestão e passou a ser uma vantagem estratégica do banco. Quanto maior a confiança do mercado e dos parceiros financeiros no BRDE, maior também a nossa capacidade de oferecer crédito de longo prazo com solidez.”

Na frente externa, o principal movimento do ano foi a nova operação firmada com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), no valor de 120 milhões de euros. Trata-se da quarta captação junto à instituição francesa e da maior desde o início da parceria. Com isso, o volume total levantado com a AFD chegou a 340 milhões de euros. Os recursos serão destinados a financiamentos nos estados do Sul, com ênfase em projetos de alto impacto ambiental e climático nas áreas de educação, saúde, preservação cultural e resposta a desastres naturais, além de assistência técnica voltada ao fortalecimento institucional do banco.

Esse conjunto de fatores ajuda a explicar a manutenção de avaliações favoráveis de risco. Em 2025, a Fitch reafirmou os ratings do BRDE, preservando o rating nacional de longo prazo em AAA(bra) e o de curto prazo em F1+(bra), ambos com perspectiva estável. A Moody’s Investors Service manteve o rating global de longo prazo em ba2, também com perspectiva estável, e a Moody’s Local BR confirmou o rating de emissor em AA-.br. O perfil de crédito do banco é reforçado pelo elevado nível de capitalização e pelo apoio dos estados controladores — Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

“A solidez do balanço e o rating elevado conferem ao BRDE a credibilidade necessária para acessar o mercado global. A diversificação via captações internacionais garante recursos com prazos e condições competitivas no mercado interno. Essa estrutura robusta viabiliza programas sustentáveis de longo prazo e alto impacto para o desenvolvimento regional”, ressalta o diretor Financeiro, João Paulo Kleinübing.

O impacto dos financiamentos também aparece na qualidade do destino dos recursos. Dos R$ 5,6 bilhões contratados em 2025, 79,1% estavam alinhados a pelo menos um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o equivalente a cerca de R$ 4,5 bilhões. Parte relevante desses recursos foi destinada à geração de energia renovável, à eficiência energética — como modernização da iluminação pública — e a ações de resiliência climática nos municípios.

Na visão do diretor de Planejamento, Leonardo Busatto, o banco vem se consolidando ano após ano como um importante instrumento em favor da transição climática, da inovação nas empresas e no apoio ao setor público. “São diretrizes que estão alinhadas a um único propósito, fazer da região Sul uma referência em desenvolvimento sustentável. Para tanto, precisamos de eficiência dos nossos modelos de produção, além de tornar as cidades em espaços de maior resiliência, incorporando conceitos de smart cities”, destacou Busatto.

A estratégia de longo prazo do BRDE em 2025 foi além do crédito tradicional. O banco concluiu a revisão integral do Planejamento Estratégico 2025-2030, alinhado ao projeto Visão Regional 2040, e reforçou frentes institucionais como apoio às cidades, fortalecimento das cadeias produtivas, inovação e sustentabilidade. Também ampliou sua atuação como agente de políticas públicas e estruturador de projetos, incluindo iniciativas municipais de PPP em iluminação pública e educação infantil.

No campo da inovação, o BRDE financiou 65 empresas em projetos inovadores, num total de R$ 345,7 milhões, utilizando recursos da Finep, BNDES, AFD, BID e do próprio banco. Além disso, manteve participação em fundos voltados a startups e ampliou a atuação do BRDE Labs, com programas de aceleração e conexão com investidores e empresas em diferentes estados da Região Sul.

Outro movimento simbólico de 2025 foi a entrada do BRDE na Febraban. Ao tornar-se membro da federação, o banco reforçou sua participação nas pautas nacionais do sistema financeiro, em consonância com sua posição de segunda maior instituição pública de fomento do país.

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