Na vanguarda das discussões internacionais sobre financiamento sustentável, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) participou, no último fim de semana, de debates na COP17 da Biodiversidade, em Yerevan, na Armênia. O destaque foi a presença do banco, como único representante bancário brasileiro, em uma mesa-redonda restrita do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), dedicada à revisão de mecanismos de acesso e aplicação de recursos internacionais destinados à conservação. A agenda também incluiu discussões sobre novas tecnologias de monitoramento ambiental e instrumentos para ampliar os investimentos em biodiversidade.
O GEF é o maior financiador público multilateral de projetos ambientais do mundo. Desde sua criação, destinou mais de US$ 27 bilhões a iniciativas de proteção ambiental e mobilizou outros US$ 155 bilhões em cofinanciamentos. Seus recursos apoiam projetos de biodiversidade, mudanças climáticas e outras áreas de conservação em países em desenvolvimento.
No domingo (25), o chefe do Departamento de Parcerias e Inovação do BRDE, Marcelo do Canto, participou da mesa-redonda “Explorando oportunidades de financiamento privado para a biodiversidade”, realizada no pavilhão do GEF. O encontro reuniu representantes de fundos internacionais, incluindo instituições canadenses, indianas e britânicas, além de empresas como Unilever e gestoras financeiras como BlackRock e J.P. Morgan.
O objetivo foi reunir contribuições para o conselho internacional do GEF sobre possíveis mudanças nas regras de financiamento. Entre os pontos discutidos estiveram a simplificação dos mecanismos de acesso, a redução dos custos de transação e a maior efetividade na aplicação dos recursos. Uma das prioridades é facilitar a chegada do financiamento a governos subnacionais e projetos locais, que frequentemente enfrentam dificuldades para acessar os instrumentos multilaterais.
A participação do BRDE levou à discussão a perspectiva de uma instituição financeira regional, com experiência na estruturação de projetos e no relacionamento direto com governos, empresas e organizações locais.
“Os recursos internacionais precisam chegar com mais facilidade a quem desenvolve os projetos de conservação. Reduzir custos e simplificar procedimentos pode ampliar muito a efetividade desses investimentos. Os bancos regionais têm um papel importante nessa aproximação”, afirma Marcelo.
A agenda de domingo incluiu ainda uma reunião entre o BRDE e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF). Foram discutidas oportunidades de financiamento verde para conservação do Pampa gaúcho, da Mata Atlântica e de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), além de instrumentos como créditos de biodiversidade e blended finance, que combina diferentes fontes de recursos para viabilizar investimentos.
Biodiversidade nas decisões financeiras
No sábado (24), a gerente de Planejamento do BRDE no Paraná, Lisiane Astarita, participou do painel “Das métricas à estratégia: por que a biodiversidade deve se tornar uma prioridade empresarial”. O encontro reuniu representantes de organismos internacionais e empresas como Vale, Grupo Boticário, Petrobras e Itaipu Binacional para discutir como incorporar indicadores ambientais à gestão de riscos e às decisões de investimento.
O painel marcou o lançamento de um posicionamento conjunto da Coalizão LIFE, que estabelece compromissos de mensuração de impactos, transparência e investimentos em conservação, em alinhamento às metas internacionais de biodiversidade.
“A biodiversidade está deixando de ser tratada apenas como uma questão ambiental para integrar a avaliação de riscos e as decisões de investimento. Para os bancos de desenvolvimento, isso abre novas possibilidades de atuação”, afirma Lisiane.
Ainda no sábado, o BRDE participou de uma discussão sobre o LIFE Key, ferramenta digital que integra monitoramento, gestão e divulgação de informações sobre biodiversidade, permitindo acompanhar resultados ambientais por meio de indicadores verificáveis.
A presença do banco nessas agendas está relacionada à estratégia do Banco Verde e à atuação do Fundo Verde e de Equidade, que apoia projetos socioambientais nos três estados do Sul. Entre as iniciativas está um projeto-piloto de créditos de biodiversidade no Paraná, com previsão de até R$ 2 milhões para remunerar a conservação de reservas particulares mediante comprovação de resultados.
A participação na COP17 permite ao BRDE contribuir para a discussão de mecanismos internacionais de financiamento e acompanhar avanços que poderão ampliar o acesso de projetos regionais a recursos destinados à conservação ambiental.
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